Holanda: “Het Schip” ocupação queer feminista inaugurada em Amsterdam

Há cerca de duas semanas, uma casa em Kinkerbuurt foi novamente ocupada. O prédio ficou vazio por mais de um ano depois que os ocupantes anteriores foram convidados a se retirar, pois supostamente seria demolido e substituído por quatro apartamentos de luxo. O reassentamento foi feito silenciosamente e depois de alguns dias os policiais reconheceram a paz doméstica dos ocupantes.

Uma mensagem dos ocupantes:
Somos contra o Estado, o patriarcado, a violência policial, o capitalismo e todas as formas de hierarquia e opressão. Vamos nos defender, e nosso direito de existir e viver da maneira que queremos. A gentrificação é um ataque direto às nossas comunidades, nosso sustento e nossa liberdade de estar na cidade. Somos queer, feministas, antifascistas e estamos cansadas dessa merda. Nossos espaços livres estão sob ataque em todos os lugares e não ficaremos assistindo em silêncio sua destruição. A hora de ocupar, resistir e atacar é agora. A pandemia teve um efeito desproporcionalmente negativo sobre a classe trabalhadora, mulheres, pessoas queer, BAME e outros grupos marginalizados. Não nos deixaremos ser o dano colateral desta crise. Nós cuidamos de nós. Somos solidários às mulheres e às pessoas queer em todos os lugares, lutando contra o capitalismo e o patriarcado. Solidariedade aos nossos vizinhos da Liebig34. Nosso movimento é internacional, não pode ser despejado pelo Estado ou contido dentro das fronteiras nacionais. [Read More]

Espanha: Okupação, o fantasma sobre a mesa

“Não tenho certeza qual é o fatal segredo“, Mathilde no Castelo de Otranto

A recente campanha da mídia contra a ocupação de casas não foi a primeira, mas uma das mais intensas dos últimos tempos. Seu lançamento, na véspera de uma provável intensificação do conflito habitacional, não parece ser uma coincidência. A crise econômica e sanitária colocou os setores envolvidos em alerta, e isto parece ser um primeiro movimento de um dos lados. Esta campanha está começando a ter respostas, especialmente sob a forma de artigos e redes sociais. Nessas respostas, foi relatado que o fenômeno da ocupação de casas é menos difundido do que a mídia sugere com um tom alarmista. Os dados e estatísticas reforçam este relatório. Além disso, houve críticas, com razão, de que a okupação está sendo deliberadamente confundida com arrombamento de casas. Finalmente, foi feita uma tentativa de reorientar o debate sobre o problema do acesso à moradia, que é a principal causa da ocupação da propriedade.

A tensa situação de calma que estamos vivendo parece ser o prelúdio para um maior conflito social, também em torno da questão com a qual estamos lidando. É por isso que as respostas defensivas são essenciais, mas seria melhor tentar ir um pouco mais longe e tomar a iniciativa no conflito, para isso pode ser útil examinar aspectos menos visíveis ou menos explorados. Além disso, diante de campanhas deste tipo, os dados e estatísticas geralmente são apenas meio úteis, porque o que está em jogo aqui é se ocupar ou não casas e instalações é legítimo. [Read More]

Madrid: Parada a primeira tentativa de desalojo do Ateneu Libertário de Vallekas. A luta segue

Em 16 de setembro passado se voltou a deixar claro que a solidariedade e a ação direta é a melhor arma que dispomos como meio de defesa frente ao Estado e a repressão. Por volta de 150 pessoas de Vallekas e outros bairros da cidade se plantaram na porta do Ateneu Libertário de Vallekas para impedir o desalojo do espaço. Não se trata só do desalojo de um espaço, é a defesa da ocupação como ferramenta de luta na guerra social, como ferramenta para criar com nossas próprias mãos, a margem de partidos e instituições, espaços de luta, encontro e aprendizagem.

E o conseguimos graças a todos e a todas. Contamos com uma pequena exibição de jornalistas, vans da polícia municipal e o delegado do distrito. Devido à fluência de solidárias, a secretaria judicial não teve outro remédio senão passar direto. Agora, qualquer dia e sem aviso prévio, o Ateneu pode ser desalojado. [Read More]

Berlim: Não toque no Liebig 34!

Hoje, dia 15 de setembro, recebemos correspondência do oficial de justiça T. Knop. Eles ameaçaram despejar o Liebig34 na sexta-feira, 9 de outubro, às 7h! Não vamos deixar isso acontecer!

Como é possível que uma tentativa de despejo esteja sendo planejada mesmo sabendo-se publicamente que uma associação diferente da do réu está presente nos quartos?

Como é possível que, em tempos em que uma segunda onda de Corona e #StayHome é esperada, uma casa seja despejada com tantas pessoas?

Como é possível que, especialmente agora, em tempos de marchas fascistas e uma mudança para a direita, um projeto de casa feminista, de esquerda e Queer esteja sendo atacado de forma tão massiva?

Estamos com raiva, mas determinados.
Não vamos desistir do Liebig 34 sem mais delongas.
Apoiem-nos em nossa luta.
Venham às assembleias gerais, irritem os políticos e os proprietários.
Sejam criativos! Vamos fazer da tentativa de despejo um desastre! [Read More]

Tessalónica: despejo do Squat Terra Incognita

Nesta manhã (17 de agosto), por volta das 5 da manhã, a escória da polícia grega invadiu o Terra Incognita em Tessalónica, um prédio ocupado desde 2004 que é um marco da luta e do movimento anarquista na cidade.

Os policiais fizeram o despejo do edifício, confiscando os equipamentos técnicos e materiais, e uma grande parte dos recursos internos.

Especificamente, foram confiscados os materiais das seguintes instalações anarquistas abrigadas no prédio: o material médico e de primeiros socorros, a quadra de esportes, a biblioteca e o material de impressão, bem como um grande arquivo de cartazes e outros materiais impressos que datam de várias décadas atrás. [Read More]

Atenas: Ação de solidariedade pela okupação Dervenion 56. Um apelo internacional à solidariedade

Na sexta-feira 26 de junho, em Exarcheia, o Estado grego evacuou e fechou com blocos de concreto a okupação Dervenion 56 e o prédio na rua Dervenion 52. Imediatamente, um encontro solidário foi realizado na Praça Exarcheia por várias horas. Na noite do mesmo dia, foi realizada uma marcha solidária com a participação de aproximadamente 300 pessoas. A marcha terminou na okupa Dervenion 56, barricadas foram erguidas ao redor do perímetro e, em seguida, camaradas quebraram a marretadas os blocos de concreto da vergonha. A polícia nunca chegou e depois de algumas horas os manifestantes foram embora. Policiais da tropa de choque fizeram novamente uma operação na manhã seguinte, construindo novamente um muro de concreto em frente à porta da okupação. Segundo relatos, nos dias seguintes, várias ações de solidariedade aconteceram e uma manifestação ocorreu na principal rua comercial de Atenas, Ermou, onde slogans foram gritados, e aparentemente algumas pessoas atacaram lojas de grife multinacionais em Ermou no ocupado – pela polícia – centro de Atenas. Mesmo o rico yuppie sobrinho do primeiro-ministro, o prefeito de Atenas, Costas Bakogiannis, não conseguiu escapar da raiva causada pelas evacuações. O pioneiro da gentrificação violenta e seus guarda-costas foram atacados com cafés e outros itens por dezenas de pessoas em um festival local religioso. Nos dias seguintes, realizou-se novamente uma marcha em Exarchia, onde os camaradas demoliram as paredes das okupações de imigrantes seladas em Themistokleous 58 e Spirou Trikoupi 15. Todos esses dias, textos de solidariedade foram escritos e faixas foram colocadas em vários locais na Grécia. [Read More]

Porto Alegre (RS-Brasil): Nasce a Okupa Pandemia!

Em tempos de doença global e o vírus da obediência se espalhando, irrompe no extremo sul de POA [Porto Alegre] um foco de resistência: a Okupa Pandemia. Estamos há pouco mais de duas semanas okupando uma lancheria abandonada desde 2007 (ao que se sabe), na orla do Guaíba, no bairro Lami.
Movidxs pela necessidade imediata de moradia e pela gana de afrontar o sistema que intensifica cada vez mais seu controle e repressão de maneira astuta e sutil – ou nem tanto -, decidimos levar adiante essa movida mesmo com poucas pessoas dispostas a morar no imóvel… Conscientes das dificuldades que isto implica, temos contado com o apoio de individualidades desde a entrada no local, mas que não conseguem estar presentes fisicamente todo o tempo.
A chegada no local (domingo, 25 de Maio 2020) foi tranquila, dada as condições de fácil acesso e sem empecilhos. Não havia portões, grades, correntes, cadeados etc.!!!
Após quase três dias de aparente desinteresse na propriedade, surgiu o proprietário acompanhado de um capanga se dizendo sargento (quarta, 27)… Na primeira abordagem deram a imagem de que eram compradores e já estavam negociando o imóvel, dando um ultimato para sairmos. Porém, ficamos.
Em seguida voltaram em seus verdadeiros personagens sociais, tentando nos intimidar e ameaçar e, dada a recusa de sair, chamando o aparato repressivo do Estado. Chegaram os gambé, com sangue nos olhos e a vontade típica de quebrar algo ou alguém. Com a intervenção de duas vizinhas, conseguimos evitar uma retirada a pau e nos foi dado um prazo de uma semana para sairmos. Com o primeiro confronto vencido, continuamos na Okupa. [Read More]

Berlim: “Ocuparemos…

…até que não tenhamos que fazê-lo mais”, costumávamos escrever. Geralmente ocupamos casas em Berlim, muitas foram evacuadas de novo. Mas agora a situação é diferente. Em tempos de “crise”, esta frase pode estender-se a um chamado: “Tens que se unir – em toda Europa!”

O Covid-19 está se estendendo por mais e mais áreas do mundo e resulta que o assim chamado estado de catástrofe é a regra. Porque ali, onde as pessoas são chamadas pelo supostamente necessário e estrito estado paterno: “Fique em casa”, nem todo mundo tem casa. Como se isso não fosse suficiente, o próprio estado aumentou o número de pessoas sem lar, desalojando-as. Ao mesmo tempo está fechando os alojamentos precários, que os desamparados necessitam para um pouco de pão, água e sabão. Em sua dupla moral, nos exorta patriarcalmente: “Cuidado com a higiene!”

“Evitar o contato social!” é o que os governos nos pedem que façamos. Mas, para onde deveriam retirar-se os refugiados quando estão apinhados em campos e prisões de deportação nas fronteiras exteriores da Europa e na periferia alemã? Ao lado de tirar-lhes seus direitos humanos – como o asilo, a liberdade de movimento e a moradia – também ficaram privados da possibilidade de proteger-se eficazmente contra o Covid-19. [Read More]

Atenas: Koukaki sente o peso sobre si

Desde 2017, a Koukaki Squat Community (composta pelas ocupações Matrozou 45, Panaitoliou 21 e Arvali 3) estabeleceu um exemplo de vida comunal diferente e relevante no centro de Atenas. Projetos abertos de habitação comunitária, banheiro público e lavanderia, compartilhamento de roupas, espaços para eventos públicos e uma biblioteca multilíngue foram formados através de procedimentos horizontais, trabalho coletivo e persistência. Funcionando em uma vizinhança residencial que vem sendo transformada em resort turístico de primeira-classe, a Koukaki Squat Community formou um aterro contra as políticas repressivas e econômicas do Estado e dos patrões, contra o fascismo, o racismo, e o patriarcado. Uma lareira viva de resistência que apoiou e conectou ativamente outros esforços, projetos políticos e assembleias públicas [1].

Uma comunidade como esta, de igualdade e solidariedade, não poderia deixar de ser noticiada. Como muitas outras ocupações e projetos políticos em Atenas, as ocupações em Koukaki foram visadas várias vezes pelo Estado, tanto pelos governos do Syriza [esquerda] como do Nea Dimokratia [direita], e também por ataques fascistas [2]. Os camaradas enfrentaram evacuações e repressão, mas resistiram e defenderam sua comunidade retomando as casas e fazendo intervenções dinâmicas. [Read More]

Porto (Portugal): Chamada internacional para acção

ABRIL DE ACÇÃO
Porto 2020

Este convite nasce da recusa ao conformismo e passividade de ficar a ver o mundo ser transformado numa máquina de opressão imposta por governantes que já nem escondem o desrespeito que têm para com as suas populações.
Temos vindo a observar uma escalada de acontecimentos que exige que pensemos mais além que postura queremos tomar para com a nossa vida e o planeta.
Os baixos salários, as rendas incomportáveis, a gentrificaçao que empurra propositadamente as classes baixas para fora da cidade para dar espaço aos mais ricos, sem olhar a meios. Populações locais são expulsas das suas casas em prol da especulação imobiliária e do capital. A exploração de recursos como o Gás de Xisto e Lithium sem respeito pelas vontades e bem estar das populações que ali moram. Sistemas de portagens ilegais.
Construção de novas estruturas destruidoras de ecossistemas inteiros, como o projecto de um novo aeroporto no Montijo, ou as plataformas de extracção de fracking que poluem as camadas de água no solo, água essa que vai escorrer das torneiras dos habitantes ao redor. [Read More]